Médica usa a arte para transformar alas hospitalares em Santa Maria

Médica usa a arte para transformar alas hospitalares em Santa Maria

Foto: Vinicius Becker (Diário)

Ao cruzar as portas da ala pediátrica do Pronto Atendimento (PA) do Patronato, na região oeste de Santa Maria, a primeira impressão não é a do ambiente hospitalar convencional. O branco frio das paredes dá lugar a desenhos e cores vibrantes, fruto do trabalho da médica residente em pediatria, Getiéle de Jesus Medeiros, 27 anos, que decidiu usar o pincel como instrumento de humanização e acolhimento.


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Com apoio de voluntários e doações de materiais, a iniciativa nasceu do desejo de devolver às crianças um ambiente lúdico. O projeto, iniciado em fevereiro e concluído em março deste ano, também transformou as alas da Unidade de Pronto Atendimento Municipal (UPA), no Bairro Itararé, com o auxílio da voluntária e muralista Viviane Oppermann, que finalizou a pintura.


Os desenhos

Pelas unidades de saúde, a espera pelo atendimento oportuniza um exercício de curiosidade. A fauna ganha vida nas paredes, onde pandas, coelhos e leões parecem dar as boas-vindas aos pacientes. A imersão também inclui estrelas-do-mar e mergulhadores, que exploram um oceano de tons azuis.

Foto: Vinicius Becker (Diário)

A escolha dos temas não é em vão. Gétiele buscou na própria fé e na trajetória de seus colegas a inspiração para figuras como a Arca de Noé. Conforme ela, o painel – que levou duas semanas de trabalho para a transformação – é uma metáfora sobre o trabalho em equipe na saúde:

– Muitas vezes, temos muito pouco e mesmo assim estamos ali tentando fazer o melhor pelos nossos pacientes. Não importa a situação que seja, buscamos construir uma arca para salvar todo mundo.


Humanização

O contato de Gétiele com a arte é antigo, vinda da infância e usada até para estudar anatomia na faculdade, mas foi na prática clínica que ela encontrou seu propósito maior. Para ela, a medicina não pode ser tratada como uma linha de produção mecânica. A “medicina humanizada” seria um exercício de sentir e ir além dos protocolos.

– Não é sobre pintar, sabe? É sobre o médico que está no posto quando ele resolve se permitir ser humano e fazer algo mais do que tá protocolado ali – pontuou ela.


Encantamento

O impacto dos desenhos é percebido em gestos simples: no olhar curioso e no toque dos dedos pequenos que percorrem o contorno das figuras nas paredes. Segundo a Gétiele, mais do que decorar, a intervenção mudou a relação com o espaço.

– As crianças queriam olhar os desenhos. Virou um lugar onde elas podem sonhar. Porque a criança é um ser tão incrível que mesmo quando ela está passando por uma dificuldade, ainda continua imaginando – acrescentou a médica.

Gétiele guarda com carinho muitos relatos positivos. Um dos mais marcantes veio da mãe de uma criança atípica, que enviou mensagem contando que o filho agora via o local não mais como ambiente assustador, mas como um destino que ele desejava visitar para ver os personagens.

Embora tenha se transferido para seguir sua especialização em pediatria no Hospital Escola da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), o legado da médica em Santa Maria permanece vivo. A missão, agora, é transformar outros ambientes em mais escolhedores pelo Estado e tornar a espera menos angustiante. 

O plano é colorir cada nova ala pediátrica por onde sua carreira a conduzir. Para a médica, enquanto houver uma criança precisando de cuidado e uma parede em branco esperando por cor, a medicina e a arte seguirão caminhando juntas.


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Vitória Sarturi

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